segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Adolescentes impulsivos e infratores





Cientistas da Universidade Cornell, nos EUA, observaram, num estudo recente, o motivo que pode tornar adolescentes impulsivos e infratores. Exames de neuroimagem em jovens mostraram que o córtex pré-frontal, região do cérebro ligada à tomada de decisão, ou seja, que nos faz pensar antes de agir, ainda está em formação nos adolescentes. Essa área do cérebro tende a ficar «madura» somente aos 20 anos.
Por outro lado, a região cerebral associada às emoções e à impulsividade, conhecida como sistema límbico, tem um pico de desenvolvimento durante essa fase da vida, o que aumenta a propensão dos jovens a agirem mais com a emoção do que com a razão.
Esse desequilíbrio no desenvolvimento torna os adolescentes mais propensos ao risco sem medir as consequências. Os jovens são mais extremados nos seus sentimentos – basta recordarmo-nos do “sofrimento” que foi a primeira paixão, os primeiros goles de álcool e o cigarro fumado às escondidas dos pais.
O aumento da emotividade e da impulsividade seriam gatilhos naturais para atitudes extremadas, inclusive para cometer crimes, segundo a neurocientista BJ Casey, diretora do Escola de Medicina Weill, da Universidade Cornell, que liderou o estudo. As diferenças biológicas foram observadas em exames de neuroimagem feitos inicialmente em camundongos jovens e depois em humanos através de experiências que testavam reações no mesmo momento em que os seus cérebros eram examinados em aparelhos de ressonância magnética.
«O nosso trabalho sugere que há uma rápida aceleração no desenvolvimento dos centros de emoção no cérebro durante a puberdade, enquanto o córtex pré-frontal, que regula as emoções inibindo estes centros, ainda está a desenvolver-se lentamente nos adolescentes», disse Casey.
«As observações do estudo foram de encontro com o que os criminologistas chamam de 'curva idade-crime', ou o nascimento do comportamento criminal, especialmente no sexo masculino, durante a adolescência, com picos em torno dos 17 anos», ressalta Casey.
A pesquisa observou que os adolescentes costumavam tomar decisões mais arriscadas do que adultos e crianças, principalmente quando agiam em grupo. «Com o cérebro não totalmente desenvolvido, o adolescente pode ser levado a cometer decisões pouco acertadas que lhe causam problemas, mas ele não pensa nas consequências das suas ações no calor do momento, especialmente se estiver em grupo ou se estiver a sentir-se ameaçado», acrescenta Casey.
Por ser algo que tende a mudar com o tempo, já que o cérebro continua a desenvolver-se, a pesquisadora é contra a prisão de adolescentes em casos de crimes. Para Casey, o ideal é inclui-los em programas de reabilitação para recuperá-los o quanto antes.
«Os adolescentes devem ser responsabilizados pelos seus crimes, mas o tratamento de um adolescente como um adulto é uma punição cruel. A maioria dos crimes de adolescentes não são os violentos e aqueles que são geralmente ocorrem com problemas de saúde mental. Estes jovens precisam de serviços e tratamento num ambiente seguro e que os mantenham a salvo», concluiu a cientista.

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